Encontro da Indústria de Moldes: Governance Empresarial é Imperativo para a Reinvenção da Indústria de Moldes
Segunda, 15 Dezembro 2025
Voltar à listagemNum ambiente económico global cada vez mais competitivo, em que a eficiência organizacional, a transparência e a sustentabilidade se assumem como pilares estratégicos, a implementação de modelos robustos de governance corporativa é, para as empresas, uma necessidade e não apenas uma opção. Esta foi uma das conclusões do Encontro da Indústria de Moldes, subordinado ao tema "Governance Empresarial" promovido pela CEFAMOL, no âmbito do projeto GEST.IM – Estratégia, Sustentabilidade e Transformação da Indústria de Moldes, que reuniu mais de três dezenas de empresários e quadros superiores de empresas do sector, no dia 12 de dezembro, no Lisotel - Hotel & Spa, em Leiria.
Após breve introdução dos objetivos para a sessão de trabalho pelo secretário-geral Manuel Oliveira, o orador convidado, Cláudio Starec, professor, jornalista e CEO da Certifica Med, introduziu o tema, estabelecendo o tom que guiaria todo o Encontro. O orador dissecou o atual panorama macroeconómico, marcado pela "hiper conexão", "hiper informação", “hiper inteligência” e “hiper competição” sublinhando que a governance surge como resposta necessária a este ambiente de complexidade.

Do "caos" à vantagem competitiva
Perante uma plateia de decisores do sector, Starec caracterizou o cenário atual como um "caos" de mercado, onde a "explosão da concorrência" pressiona margens e eleva custos. Num contexto que descreveu como um "tsunami tecnológico", impulsionado pela evolução galopante da Inteligência Artificial, o especialista foi perentório: «Se não tem uma vantagem competitiva, simplesmente não compete».
Foi sob esta premissa que a governance corporativa foi apresentada, não como um exercício burocrático, mas como uma ferramenta de «confiança escalável». «Sem profissionalização, não há governance nem futuro», alertou, defendendo que a implementação de sistemas de regras e ética é o único caminho para assegurar a transparência e a solidez das organizações industriais.
O novo perfil do cliente B2B
A intervenção destacou ainda uma mudança profunda no perfil do cliente industrial. Segundo os dados debatidos, o comprador B2B deixou de ter uma postura puramente transacional para adotar um comportamento mais "humano", exigindo «significado» nas relações comerciais. Este novo perfil valoriza a empatia, a transparência e o compromisso com as práticas ESG (Ambientais, Sociais e de Governance).
Para responder a esta exigência, foi partilhada a "fórmula" para uma governance eficaz: o resultado é o produto direto de um «cliente interno motivado» multiplicado por um «cliente externo encantado». O conceito de "Governance 4.0" foi assim introduzido como um modelo focado em surpreender o mercado, traçando paralelismos com a excelência de serviço das marcas.
Comunicação e Sucessão
As fragilidades internas das empresas também estiveram em análise, com especial enfoque na comunicação. Foi sublinhado que a visão estratégica dos líderes raramente chega de forma eficaz às "linhas da frente", o que acarreta custos elevados por falta de envolvimento das equipas operacionais. Foram ainda identificadas as "cinco armadilhas da governance", personificadas em figuras como o burocrata ou o centralizador, que bloqueiam a agilidade empresarial.
Simultaneamente, o tema da sucessão foi colocado em cima da mesa com uma questão provocatória: «O seu negócio está preparado para funcionar sem si?».
O "molde" do futuro
O Encontro encerrou com um olhar sobre a reinvenção da indústria europeia. A conclusão foi clara: a reconhecida excelência técnica dos moldes portugueses é insuficiente se não for acompanhada por uma estratégia clara, uma governance consistente e sustentável. Só esta integração permitirá às empresas nacionais manterem-se como parceiros indispensáveis numa nova era de negócios.
«A governance é o molde que vai definir o futuro da indústria», rematou no final da sessão, lançando o desafio para a adoção de um pacto de excelência em cada empresa que permita consolidar a competitividade do sector à escala global e atrair talento para as organizações.

