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Mira Amaral defende redefinição do modelo de negócio

O Sector de Moldes percebeu que o mundo mudou e a questão central que hoje se coloca é a definição dos novos modelos de negócios a adoptar, de uma forma estratégica e sustentada. Esta foi a ideia-chave que Mira Amaral deixou em Leiria aos empresários e quadros dirigentes do Sector de Moldes e Ferramentas Especiais, em mais uma conferência promovida pela Cefamol – Associação Nacional da Indústria de Moldes e intitulada “Os Moldes na Economia Global – O Caso Português”.

O ex-ministro da Indústria e Energia recordou a importância estratégica do Sector não só como alavanca fundamental para a fabricação de produtos industriais, mas também pela apetência natural pela criação de novos produtos (inovação). Por outro lado, apontou o alargamento da cadeia de valor nos moldes como caminho a seguir pelas empresas, na perspectiva de um “modelo de pacote”. Isto significa “deixar de se vender o molde isolado e passar a vender-se um conjunto de produtos e serviços relacionados, dentro dos quais estão também os moldes incluídos”. Mira Amaral enunciou ainda algumas áreas potenciais para o sector, mais ou menos emergentes e que representam oportunidades de negócio, tais como o automóvel, a aeronáutica, a saúde ou a energia e ambiente.

 

Sobre a conjuntura económica, o orador lembrou que Portugal “nem é dos países europeus mais afectados pela crise mundial, pois os níveis de crescimento já não eram antes famosos”, sendo as diferenças mais esbatidas face ao resto da Europa Ocidental, sobretudo a Espanha. Explicou que as famílias não vêem os seus rendimentos aumentarem uma vez que, embora a riqueza do País cresça todos os anos, o mesmo acontece aos juros da dívida pública, que têm de ser pagos. Por isso, considera “o défice externo tão ou mais importante do que o défice público”, embora reconheça que este também contribua para os baixos índices de produtividade da economia portuguesa.

 

“Portugal já não pode ser um país de imitação”, referiu o orador, remetendo para a necessidade de ser inovador, algo que exige capacidade tecnológica e investigação. No entanto, esta não pode ter apenas o cunho científico e tecnológico: “O nosso problema já não é de infra-estruturas, mas sim de qualificação dos recursos humanos ao nível dos quadros intermédios”, acrescentou, justificando que Portugal “já não é um país de salários baixos, mas não «agarrou» a economia do conhecimento”.

 

Como caminhos a seguir, Mira Amaral defende uma acção global e concertada entre empresas, associações e sindicatos e antecipa que o modelo empresarial que vai sobreviver em Portugal é o de maior flexibilidade, com rapidez na capacidade de resposta e que aposta na diferenciação e no design. Exemplificando com o Sector dos Têxteis, prevê que as empresas com grandes linhas de produção massificada e indiferenciada “estão condenadas”.

 

Já numa perspectiva de conjuntura internacional, o ex-ministro – e actual presidente do Fórum para a Competitividade e do Banco Internacional de Crédito (BIC) de Angola em Portugal - abordou o choque petrolífero como factor positivo para a Europa Ocidental, na medida em que o mesmo poderá ajudá-la no seu processo de industrialização, perspectivado aumento dos custos dos transportes. “A globalização está posta em causa em termos energéticos: a alusão de que só há sentido único para a China não é linear ou irreversível”, explicou e concluiu: “Como em tudo na vida, em todas as situações há desafios e oportunidades”.

 

Com o apoio do IAPMEI, da Inovcapital e da revista INVEST, este foi o terceiro Jantar-Conferência organizado pela Cefamol, um conjunto de encontros destinados a enquadrar, discutir e reflectir sobre alguns dos principais desafios estratégicos da indústria nacional de moldes. As iniciativas anteriores contaram com a participação do consultor e ex-ministro da Economia, Augusto Mateus e Basílio Horta, presidente da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.