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Secretário de Estado da Internacionalização visitou Indústria de Moldes

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"É preciso ouvir" para o Governo "incorporar na política pública as prioridades, vontades e dificuldades que têm os empresários e as empresas”. Esta foi uma das principais mensagens que deixou Eurico Brilhante Dias, Secretário de Estado da Internacionalização que, no passado dia 5 de julho, realizou uma visita à Indústria de Moldes e à região de Leiria, durante a qual almoçou com mais de uma centena de empresários e representantes de instituições (num evento organizado em conjunto pela CEFAMOL e pela NERLEI - Associação Empresarial da Região de Leiria), visitou empresas e reuniu com as entidades representativas do Sector.



"Faço muitas viagens ao exterior, mas também faço muitas cá dentro e é a partir destes encontros que consigo olhar os sectores, definir prioridades, escutar as questões mais prementes", explicou, considerando que Leiria, em particular o seu sector empresarial e associativo, "tem tido um contributo muito importante para o crescimento económico do país e das exportações".


O Programa "Internacionalizar", que apresentou durante o almoço de trabalho, "posiciona Portugal ao lado de outros parceiros, inclusive europeus", disse ainda, visando acompanhar e auxiliar os sectores privado e público numa estratégia para aumentar o peso das exportações nacionais no Produto Interno Bruto (PIB) e captar maior volume de investimento direto junto de entidades estrangeiras.


Reforçar posicionamento internacional
Coube a João Faustino, Presidente da CEFAMOL fazer um enquadramento do sector, afirmando que "a Indústria Portuguesa de Moldes se assume hoje como um player de referência mundial, detentor de um posicionamento estratégico de suporte e integração das cadeias de valor dos principais clientes mundiais, com especial incidência na indústria automóvel".


Sublinhando a "notável" evolução desta indústria na última década - com as exportações a registar um aumento superior a 100% entre 2010 e 2017 -, João Faustino considerou que se torna "fundamental que as empresas acompanhem permanentemente a sua envolvente negocial, a evolução política e social dos mercados, as novas tendências tecnológicas, o posicionamento da concorrência, o contexto evolutivo das indústrias que servem, entre muitos outros fatores que condicionam, direta ou indiretamente, a sua atividade e, consequentemente, a sua estratégia de desenvolvimento e diferenciação".


Mas não só. O presidente da CEFAMOL chamou ainda a atenção para as dificuldades que o sector sente em conseguir mão-de-obra qualificada, o que classificou como "o maior entrave ao nosso crescimento". Para João Faustino, as empresas necessitam de equipas qualificadas e multidisciplinares que assegurem a necessária "aposta permanente na inovação e no conhecimento", por forma a manterem uma das suas principais características de competitividade: a forte aposta na modernidade tecnológica e organizacional. A título de exemplo, referiu, "registamos mais de 42 M€ de projetos nacionais de I+D+i, envolvendo mais de 100 empresas e cerca de 50 entidades do Sistema Científico, Tecnológico e outras Entidades do Ensino Superior".


Sublinhou ainda que o setor - 3º produtor europeu e 8º a nível mundial na produção de moldes para injeção de plásticos - conseguiu criar "mais de 3.000 postos de trabalho líquidos no período entre 2010 e 2016".


"Operando a uma escala global, torna-se assim fundamental que as empresas acompanhem permanentemente a sua envolvente negocial, a evolução política e social dos mercados, as novas tendências tecnológicas, o posicionamento da concorrência, o contexto evolutivo das indústrias que servem, entre muitos outros fatores que condicionam, direta ou indiretamente, a sua atividade e, consequentemente, a sua estratégia de desenvolvimento e diferenciação", adiantou, explicando que "a internacionalização, por via das exportações, do investimento, da integração em cadeias de valor globais, da vigilância de mercado ou das parcerias em projetos europeus de I&D e inovação que se têm constituído, assume um papel preponderante para a definição do posicionamento das empresas e, por que não dizer, do Sector como um todo".


Destacou, a este nível, a importância que assumem entidades como a CEFAMOL, o CENTIMFE ou a POOL-NET, frisando que a campanha de promoção internacional assente na marca coletiva “Engineering & Tooling from Portugal” tem demonstrado "toda a cadeia de valor e integração de competências que representamos" e "tem sido fundamental e estratégica para os resultados alcançados". Aludindo ainda à estratégia de diversificação de mercados que o setor tem procurado seguir, apontou os exemplos dos EUA, México, Europa Central ou Marrocos, como "alguns alvos para esta nova fase".


Por tudo isto, o Presidente da CEFAMOL solicitou ao governante "apoio para manter esta trajetória de sucesso, continuando a reforçar o nosso posicionamento internacional".


Resolução de problemas
Já Jorge Santos, Presidente da NERLEI deu conta ao Secretário de Estado de alguns dados económicos ilustrativos da importância da região de Leiria. "As exportações de 2006 a 2016 cresceram 92% na região, enquanto que no país cresceram pouco mais de 40%", começou por referir, adiantando que, em 2011 "a nossa quota de exportação era de 2,4% e em 2017 3%". Jorge Santos revelou ainda que, em valor acrescentado, "o distrito de Leiria, de 2015 para 2016, cresceu 9,1%, enquanto que a média do país cresceu 6%", sublinhando que no que toca aos números de desemprego, "as nossas taxas têm sido sempre no mínimo 3 pontos percentuais abaixo da média nacional".


O responsável da NERLEI pediu, depois, ao governante, ajuda na resolução de problemas que, disse, as empresas enfrentam em mercados estrangeiros. Apontou o caso de Marrocos, apontando “dificuldades na obtenção de vistos de entrada em Portugal de cidadãos marroquinos”, salientando que o “processo pode demorar alguns meses” na embaixada portuguesa em Rabat, “o que dificulta a receção de empresários nas empresas e associações” portuguesas. Outros exemplos que deu foram a Argélia e o Irão, referindo-se às dificuldades na obtenção de vistos, no primeiro, e a impossibilidade de efetuar transferências bancárias, no segundo.


Já em território nacional referiu os “processos de desalfandegamento demorados” e os custos dos portos nacionais que “são muito elevados”, pelo que os armadores estão “a desviar-se de Portugal e a ir para Espanha”. Elencou ainda outras questões, como a legislação laboral, o sistema fiscal ou a morosidade da justiça, como fatores que afetam a capacidade competitiva das empresas.


Em resposta, Eurico Brilhante Dias referiu que do conjunto de questões “algumas são conhecidas” e outras classificou-as mesmo como “velhos problemas”. Referiu que, em matéria de vistos, foi alterada a legislação, sendo que o decreto regulamentar deverá ser aprovado na próxima semana. “Isso não resolve os problemas de capacidade dos nossos consulados”, reconheceu, admitindo que Marrocos e Argélia são “fortemente pressionados”, situação que o Executivo tem procurado resolver.


Quanto ao Irão “o problema central é o banco correspondente”, no lado português, mas prometeu trabalhar nesta matéria.

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