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Controlo e gestão de dados são garante de uma estratégia empresarial eficaz

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‘Sistemas de Controlo e Gestão de Dados’ foi o tema do primeiro de um conjunto de três webinares integrados no fórum Tech-I9, organizado pela CEFAMOL. A sessão decorreu no dia 24 de novembro, reunindo uma plateia virtual composta por sete dezenas de profissionais do sector.



Os oradores, Cláudia Novo (Erofio), Carlos Neves (Politécnico de Leiria), Miguel Lima (Moldoplástico), Valdemar Duarte (DRT) e Nuno Archer (Winsig) foram unânimes em concluir que uma recolha e tratamento eficazes dos dados são fundamentais para a tomada de decisão e garante de uma estratégia empresarial mais robusta.


"Isto é o fundamental: os dados servem-nos para tomar decisões", considerou o primeiro orador, Carlos Neves, que fez o enquadramento do tema. Sublinhou que, por esse motivo, "a gestão de dados é fundamental para qualquer empresa". Lembrando que os dados são, afinal, informação que, depois de recolhida, precisa de ser tratada para que se consiga, com ela, gerar conhecimento e com este tomar decisões, o professor defendeu que os dados servem, de uma forma mais prática, para controlar e dirigir uma organização para que alcance os objetivos pretendidos. A relevância dos dados varia de organização para organização, salientou, uma vez que a sua importância é definida pela “estratégia, pela cultura ou pelos objetivos das pessoas".


O ideal, no seu entender, é que a recolha ocorra de forma automática, de maneira a evitar o erro e tornar o processo mais célere. As organizações, sustenta, têm de definir uma estratégia prévia de recolha e tratamento, assente na resposta a duas questões essenciais: que dados recolher e com que objetivo. A partir do momento em que esteja definido o que recolher e analisar, pode, também, definir-se uma outra questão: que dados são desnecessários.


"Numa abordagem coerente, que não dependa das pessoas, os dados estão sistematizados e isso torna a empresa mais robusta", considerou. E é aí que se inclui o conceito da Indústria 4.0.


Carlos Neves afirmou que, no novo paradigma industrial, os sistemas têm de comunicar uns com os outros, sendo fulcrais questões como a interoperabilidade ou a operação em tempo real. No entanto, devido ao ritmo próprio de cada organização, há empresas com equipamentos antigos que levantam alguns constrangimentos na forma como poderão ser adaptados para trabalhar nesta nova realidade. Como exemplo de uma solução promissora que permite isso mesmo, o professor apontou o OPC UA, um protocolo de comunicação entre sistemas industriais.


Destacou ainda os desafios que, nesta matéria, se colocam às empresas: a segurança, a privacidade, a heterogeneidade tecnológica, a qualificação dos recursos humanos ou a necessidade de investimento.


Mudar hábitos e mentalidades
Lançadas as principais questões, seguiu-se o momento de debate entre as empresas representadas, moderado por Cláudia Novo, da Erofio. Os produtores de moldes deram conta de duas realidades em relação à questão da recolha e tratamento de dados: há empresas que optam por criar a sua própria solução e há, também, as que procuram no mercado soluções mais abrangentes desde que possíveis de enquadrar à sua realidade.


Valdemar Duarte, da DRT, explicou que a dificuldade de implementar um sistema de recolha e tratamento de dados se prende, sobretudo, com a quantidade de informação recolhida quando, na prática, apenas 20% dela é útil à empresa. Sublinhou que a sua empresa, que desenvolveu o seu próprio programa (e o disponibiliza ao mercado), está, neste momento, a trabalhar em algoritmos que permitam melhorar a triagem dos dados.


Já Miguel Lima, da Moldoplástico, contou que o sistema que a empresa utiliza foi adquirido no mercado, está implementado há cerca de dez anos e tem como objetivo uma gestão integrada que permita o controlo de custos e a definição de meios para lá chegar. “Poder antecipar o que podemos melhorar é a nossa meta”, clarificou.


Nuno Archer, da Winsig, considerou que neste necessário processo de mudança, o mais difícil é conseguir modificar as mentalidades das pessoas e alterar hábitos enraizados. Defendeu que para conseguir introduzir com êxito um processo deste tipo, é preciso que “exista vontade da gestão de topo para mudar”. Considerou ainda que, numa grande parte das empresas, o que falta, hoje, para melhorar é avançar para a automatização deste processo. Este é um passo fundamental, no seu entender, para evitar a recolha manual de dados e as desvantagens que isso implica.


Melhorar e otimizar
Miguel Lima adiantou que é fundamental “definir objetivos claros”, de forma a evitar a recolha de dados em demasia e o tempo consumido em filtragem.


Valdemar Duarte, por seu turno, defendeu a necessidade de se avançar para soluções que conectem as pessoas com as ‘coisas’ e com os processos. Enquanto o software da sua empresa está a ser trabalhado neste sentido, o empresário lembrou que é, na essência, o conceito da Indústria 4.0 e que este, apesar de recente, “tem de ser interiorizado pelas empresas sem hesitações”. “É preciso aprimorar processos, melhorar e otimizar o que está mal”, sublinhou.


Cláudia Novo falou da necessidade que as empresas têm de pessoal qualificado, defendendo que, nesta matéria, deveria existir uma ligação ainda mais estreita entre as escolas e a indústria, e que esta deve começar o mais precocemente possível. A afirmação foi aproveitada por Carlos Neves, que elencou um conjunto de ações que os alunos desenvolvem em conjunto com as empresas, frisando que o objetivo do Politécnico de Leiria é formar profissionais preparados para a realidade industrial.


Na parte final da sessão, os oradores foram confrontados com muitas questões colocadas pelo público online. Concluíram, de forma unânime, que o custo com este tipo de soluções é, afinal, um investimento que permite às empresas melhorar a sua estratégia e eficácia.


‘Integração de Equipamentos em Células de Produção Flexível’ e ‘i4.0 e a Indústria de Moldes’ são os temas em debate nas duas outras sessões, a decorrer dias 25 e 26 de novembro.





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