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Células de produção flexível são fundamentais para o crescimento das empresas

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As células de produção flexível são um investimento essencial para assegurar o crescimento e rentabilidade das empresas. Esta foi a principal conclusão do webinar ‘Integração de equipamentos em células de produção flexível” que, organizado pela CEFAMOL e inserido no Fórum Tech-i9, teve lugar no dia 25 de novembro. Os oradores da sessão foram ainda unânimes em alertar que, para que a introdução das células seja eficaz, é essencial ter recursos humanos preparados, a solução a adotar deve ser selecionada com o apoio de parceiros especializados e é fundamental assegurar que o volume de trabalho justifica o investimento.


Foi um debate muito dinâmico, com uma interessante troca de opiniões em jeito de conversa, o que reuniu Eugénio Santos (Geocam) e João Faustino (TJ Moldes) – moderadores – João Teodósio (Moldes Catarino), Paulo Henriques (Ribermold) e Paulo Ferreira (Isicom). Antes do debate, a introdução ao tema foi assegurada por Norberto Pires, professor da Universidade de Coimbra. A sessão contou ainda com uma plateia virtual composta por mais de oito dezenas de profissionais do sector.


Desde logo, os oradores refletiram sobre a vantagem que tem a indústria de moldes em adotar as células de produção flexível. Paulo Ferreira, da Isicom, representando no debate o fornecedor das soluções, defendeu que a instalação tem grandes vantagens, quer de produtividade ou redução de tempos de fabrico, considerando mesmo que “chegaremos a um ponto em que se assumirá vital a sua adoção como garantia de viabilidade das empresas”.


Eugénio Santos, da Geocam, manifestou ter dúvidas em relação à integração dos equipamentos e a adoção de processos standardizados numa indústria que fabrica, afinal, um produto que é único e não se repete: o molde. “Parece-me que para chegar a um momento em que estes dois conceitos funcionem em pleno temos pela frente um caminho longo e difícil”, sustentou.


Paulo Henriques, da Ribermold, considerou que é “preciso pensar e implementar as soluções com calma”, aconselhando as empresas a rodearem-se de parceiros especializados que possam apoiar na tomada da melhor decisão. Sublinhou a dificuldade que existe, em muitos casos, para conseguir integrar nas células os equipamentos, lembrando que “estamos, muitas vezes, a falar de equipamentos muito distintos”. Por isso, a sua principal chamada de atenção foi para a necessidade de preparar os recursos humanos para que sejam uma mais valia, quer na vertente mecânica, quer na informática.


João Teodósio, da Moldes Catarino, concordou com a necessidade de apostar na formação das pessoas, sublinhando que, apesar da automatização do processo, as pessoas serão sempre imprescindíveis. As suas competências é que têm de ser ajustadas à nova realidade, uma vez que as máquinas farão o trabalho repetitivo, frisou. “Mas é preciso pessoas que façam trabalhos mais qualificados, uma vez que é preciso fazer com as células sejam cada vez mais produtivas para delas se tirar rendimento”, defendeu. Lembrou ainda que é necessária uma criteriosa escolha de parceiros para a instalação das células. No seu entender, “já foi percorrido um caminho e há hoje soluções e parcerias, sobretudo no que diz respeito à robotização, que importa ter em conta”. No caso da standardização, considerou ser esse “o caminho perfeito” para a indústria, no sentido em que confere homogeneização ao trabalho e evita os erros.


Mudar mentalidades
Paulo Ferreira salientou, ainda, as barreiras que muitas empresas ainda colocam à adoção destas tecnologias, sobretudo por desconhecimento, mas também por receio da mudança. Uma outra dificuldade que diz encontrar reside nas características dos equipamentos que, por vezes, não permitem qualquer tipo de acesso, sendo, por isso, muita complexa a sua integração em células.


João Faustino, da TJ Moldes, considerou que a introdução das células na produção tem vantagens, mas também o seu oposto. Sublinhou que, em função de como for implementado o processo, a empresa pode ganhar ou perder competitividade. Tem, no seu entender, de ser um processo calculado e bem concretizado. Salientou que, quando se introduz uma alteração no processo de fabrico, é necessária “uma adaptação e esta tem de ser contínua”.


Paulo Henriques levantou o tema da Inteligência Artificial (IA), ao considerar que esta pode vir a ‘roubar’ algumas tarefas de preparação dos trabalhos. Contudo, no seu entender, e reportando-se à indústria de moldes, “nunca a IA substituirá o Homem na conceção do projeto do molde”.


Face a todas estas mudanças que estão a alterar a indústria, Eugénio Santos defendeu que as pessoas “têm de sair da sua área de conforto e aprender, constantemente, coisas novas, porque tudo está a mudar muito rapidamente”.


Paulo Ferreira chamou ainda a atenção para a necessidade das empresas se equiparem com bons softwares, que permitam ‘guardar’ o conhecimento. Este, alertou, “não pode estar centralizado na cabeça de uma pessoa que, um dia, se vai embora e deixa a empresa sem esse conhecimento”, adiantou. Reportando-se ao futuro, considerou que a solução ideal para qualquer empresa é que “toda a fábrica seja uma célula de fabrico flexível”, na qual os humanos interajam com as máquinas e que sejam ambos coordenados pelo mesmo sistema.


Esta sua visão acabou por ir ao encontro do que, momentos antes, o professor da Universidade de Coimbra, Norberto Pires, tinha exposto na sua intervenção: a necessidade de integrar processos, de forma a que as empresas se tornem mais competitivas. Apresentou como exemplo um projeto, no qual participa e através do qual foi desenvolvida uma célula de produção, com a integração de uma multiplicidade de processos. Sublinhou que para instalar um sistema deste tipo, ou de outro, é necessário fazer-se rodear de vários parceiros, especializados em áreas diversas.


Na sua intervenção de contextualização ao tema, Norberto Pires, levou os assistentes a fazer uma viagem histórica pelas características de cada revolução industrial, até chegar à Indústria 4.0. O grande desafio que, no seu entender, se coloca atualmente às empresas é conseguirem integrar equipamentos e pessoas. Um dos exemplos que apresentou foi o fabrico aditivo. O especialista considerou mesmo que, a este nível, “Portugal tem condições de ser líder”.


O último webinar inserido no fórum Tech-I9 tem lugar no dia 26 de novembro, tendo como tema ‘I4.0 e a indústria de moldes’.

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